Stop The Clocks…parte 3

Uma luz forte incomodava os olhos fechados da Sra. Margarida. Ela tentava se ajeitar na sua posição, que era quase tão incômoda quanto o Sol.

Um despertador começou a se ouvir de longe. E mais um. E mais um. Os sons se misturavam mas mesmo assim não surtiam muito efeito nos ouvidos dela. Até que em um momento, um som muito forte começou a tocar em sua bolsa. Era o seu relógio anunciando 8 da manhã.

Será verdade?” Pensava ela, sem abrir os olhos. “Será que finalmente aquele pesadelo finalmente acabou?” Ela não aguentaria mais aquilo novamente. Três dias quase. Era demais para o corpo já debilitado de uma senhora. Mesmo com a cabeça ainda deitada e o rosto coberto com as mãos, ela começou a abrir, lentamente, os seus olhos, para se acostumar com a luminosidade. O dia estava quente, provavelmente o Sol deveria estar brilhando com toda a força. Típico para um dia no início do verão. Lentamente ela levantou a cabeça, seus olhos começaram a reconhecer as formas e as cores, e, de repente, uma surpresa inacreditável ao perceber que não estava sozinha:

Arthur!? É você!?

De fato. Do outro lado da mesa de metal e madeira estava Arthur, tomando um café quente e lendo uma revista. Acompanhando o olhar dele, Margarida olhou à sua volta e viu as pessoas se levantando do pesadelo de um dia interminável. Os ponteiros do relógio da catedral andavam normalmente, passo a passo. Estavam sentados na primeira mesa, próxima à padaria, com a visão da praça inteira em seus olhos.

Imaginei que incontraria você aqui, Margarida. Que bom revê-la!

Arthur fitava as feições idosas dela, sem saber o que dizer. Não havia nada a dizer por parte dele. Ela retribuiu o olhar e, espantada, viu como os anos pareciam não ter atingido o seu amado. Suas feições não aparentavam os seus 80 anos de vida – bem vividos, na opinião dele. Já fazem 50 anos de sua partida e mesmo assim ela o reconheceu à primeira vista.

Ainda inconformada com a ‘visita’ inesperada ela viu  Arthur dar lentamente o último gole do café e levantar-se. Ele andou na sua direção, estendeu o braço e conduziu a pela praça, em direção à avenida. Em um dado momento ele virou para ela e, olhando para os olhos dela, tentou explicar o motivo de sua ‘aparição’:

– Ontem de manhã, chegou às minhas mãos uma mensagem de um jovem amigo. Ele estava firme e decidido e, em compensação o dia foi generoso com ele e iluminou cada passo.

Ele segurou forte as mão dela, como o dia em que ele havia pedido sua mão em casamento, há mais de 50 anos, e continuou:

Aquele jovem foi um sinal, Margarida. Se eu estava pronto para despertar algo tão maravilhoso na vida daquele rapaz, nada mais justo do que mostrar tudo para você.

Depois de uma breve caminhada, eles pararam em frente à pequena casa, incrustrada entre prédios imensos. Margarida olhou fixamente para a casa por uns minutos e finalmente Arthur tomou a frente e  chamando-a para dentro.

Por que você não entra para uma tomar uma xícara de café? Seria maravilhoso.

Os dois então, de mãos dadas, subiram os três degraus que levavam à soleira da porta e desapareceram porta adentro.

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~ por jlavelino em 19/07/2010.

Uma resposta to “Stop The Clocks…parte 3”

  1. Muito lindos os textos, parte 1, 2 e 3. *_*
    E fiquei feliz que a dona Margarida vai fazer parte disso agora. ^^ Realmente feliz.

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