“Admirável Mundo Novo” – Impressões do Infinito

Caro amigo, Arthur.

Que maravilha é poder te escrever de um lugar tão espetacular! Tenho visto tantas coisas nos últimos 2 meses que vou ter que me conter para não enviar-te um  calhamaço muito volumoso! Quando voltar, você poderá ler com mais detalhes, o que tenho escrito nas páginas do diário de viagem…

Mesmo tendo visto tão atentamente cada um de seus quadros, lido trechos do seu diário e, principalmente, ouvido tantas histórias em méio a demorados cafés-da-tarde, eu jamais imaginaria como é o infinito. Existem tantas cores jamais vistas, principalmente no céu. Já me acostumei com o céu azul turquesa daqui do vilarejo.

Fui muito bem acolhido por aqui, e tem sido minha primeira estada mais longa depois de tantos meses de andança. É bom estar em um lugar em que é possível conhecer todas as pessoas à sua volta. Não existe aquele frenesi no horário de pico. Toda manhã, um céu bem menos laranja ilumina suavimente as pequenas casas de madeira, que se estendem pela encosta da montanha. Consegui me hospedar na casa de um velho senhor, que não exitou em me acolher em sua casa e vive contando histórias de um homem que há muitos anos atrás havia conhecido o senhor e guarda uma pequena fotografia dos dois num porta retrato antigo de bronze sobre a mesa de canto de sua sala de jantar.

Foi um prazer inigualável poder do alto da cordilheira do norte, naquele mesmo mirante dos teus quadros, ver a Cidade vivendo por sí própria. Seus prédios imensos se ergendo da névoa das indústrias, com seus jardins suspensos ao vento. É estranho pensar que tanta gente vive a sua vida inteira e jamais tem noção de que existe tudo isso. Toda essa imensidão de mundo. Me imaginei vivendo a minha velha vidinha medíocre de exatos 4 meses atrás, antes daquela fatídica primeira xícara de café. Iria acordar e ver aquele mesmo céu cinza chumbo de todas as manhãs, ir para o trabalho, pegaria meu fardo de cartas e revistas para entregar e ficaria o dia inteiro pelas ruas da cidade entregando-nas.

Mas hoje a vida é completamente diferente. Ontem fiz algo que seria inimaginável tempos atrás. Comprei um cavalo! Ele vai comigo durante as minhas viagens. Espero que a jornada continue me surpeendendo cada vez com as paisagens, com os vilarejos. Conhecendo cada vez mais pessoas ao longo da estrada. Espero receber cartas ‘estranhas’ como a que entreguei ao senhor aquele dia.

Mas agora me vou. Amanhã eu parto daqui. Ficarei com saudades, mas há tanto para se ver e descobrir que não poderia ficar mais aqui. Há um jantar me esperando lá na taverna (Sim! Aqui ainda existe aquela antiga taverna!)!

Um grande abraço, caro amigo!

Davi.”

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“Isn’t the world  full of wonderful things? I have lost so many things, my job, my future, everything people THINK is important. But I don’t care! Cos, if I have to dig dithces for the rest of my life, I shall be a ditch digger who once had a wonderful day!” Cornelius Hackl

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~ por jlavelino em 26/07/2010.

Uma resposta to ““Admirável Mundo Novo” – Impressões do Infinito”

  1. É incrível como cartas nos passam uma sensação de familiaridade e intimidade, mesmo que não se dirijam a nós. Você consegue transmitir muito bem os sentimentos e reflexões do personagem pela escrita dele. Também é muito bela e inspiradora a citação no final, faz repensar certas decisões que tomamos ao longo da vida.
    Muito bom o texto. ^^

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